Matemática do ministério: Quantas divisões tem Dilma no Congresso?

Matemática do ministério: Quantas divisões tem Dilma no Congresso?

civil
Alguém se surpreende com as contradições do Brasil? Acima, um governante “civil”
por Luiz Carlos Azenha
Logo depois do I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, em 2010, sentei-me em um bar ao lado de Miguel do Rosário, de O Cafezinho. Alertei-o de que Dilma, eleita, faria um governo conservador. Não deu outra: uma das primeiras decisões da presidente eleita foi participar de uma festa da Folha de S. Paulo, jornal que havia publicado a ficha falsa da ainda candidata, em primeira página. Depois, veio o omelete com Ana Maria Braga. E decisões constrangedoras para os defensores da reforma agrária, dos direitos indígenas, do meio ambiente e de outros setores que haviam batalhado por Dilma.

Ao assumir, Dilma não fez mais que repetir o que aprendeu com quem a “inventou” para a política eleitoral, o ex-presidente Lula. Trazer para dentro do governo as dissensões explícitas na sociedade, atuar como mediadora, aplicar o movimento do pêndulo de acordo com a conjuntura. Ora à esquerda, ora à direita. Trata-se de um presidencialismo muito parecido com o parlamentarismo, a partir da constatação de que um presidente sem base de apoio no Congresso, no Brasil, em geral acaba apeado do poder. Real politik.
Por isso, é curioso ver agora gente que se diz “surpresa” com as indicações de Dilma para o ministério. Suponho até que as “reportagens” que leio nos jornais, baseadas em fontes anônimas segundo as quais haveria reação do PT às escolhas da presidente, tenham sido turbinadas. Qualquer observador da cena política brasileira minimamente informado pode se opor às escolhas por motivos ideológicos, mas reconhecerá que Dilma simplesmente está aplicando a matemática eleitoral. Qual é a surpresa de uma pessoa agir de acordo com seu instinto de sobrevivência?
Basta relembrar dois números das eleições recentes para entender: a bancada do PT no Congresso foi reduzida de 88 para 70 deputados. A bancada ruralista, de acordo com a Frente Parlamentar Agropecuária, tem o potencial de atingir 257 dos 513 deputados, ou 50% do Congresso. Além disso, o PMDB não é um parceiro confiável. Mais ainda, estamos diante de uma investigação da Petrobras cujo futuro é impossível prever.
Por isso, do ponto-de-vista de sobrevivência política — friso, da matemática do Congresso –, faz todo o sentido indicar Kátia Abreu, do PMDB, para o ministério.
Quanto ao ortodoxo Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, sempre dissemos neste espaço que, depois da derrota eleitoral por pouco, o que realmente importava à direita era o controle da economia. Quem vai pagar a conta da crise, agora que o jogo ganha-ganha dos mandatos de Lula se esgotou, é o verdadeiro terceiro turno de 2014. Tudo o mais, inclusive o chamado “petrolão”, é subsidiário, uma vez que ficará absolutamente cristalino, em pouco tempo, que as empreteiras brasileiras irrigaram com suas doações e propinas gente de quase todos os partidos, provavelmente menos o PSOL.
Do ponto-de-vista do PT, a solução do imbróglio acima seria uma reforma política capaz, a médio prazo, de reverter o absoluto domínio do Congresso pelas bancadas empresarial, ruralista e evangélica. Porém, com a presidente preocupada com sua própria sobrevivência política, isso não deve acontecer. Pelo mesmo motivo, também não vai haver regulamentação da mídia eletrônica.
Nestas circunstâncias, um plebiscito sobre reforma política poderia servir para politizar a discussão, mas dependendo do que estiver em jogo tem o potencial de representar retrocesso, com o fim do voto obrigatório, a instalação do voto distrital e o endosso de outras posições da direita. Afinal, alguém duvida da militância midiática em defesa das posições conservadoras?
À esquerda, resta a mobilização popular para perder de pouco. Dilma fará o governo do possível diante de limitações políticas e, sobretudo, econômicas. A conjuntura atual me faz lembrar de algo que “aprendi” no Instituto de Educação Ernesto Monte, em Bauru, quando se falava na Revolução de 1932, de uma professora que se orgulhava de seu “paulistismo”. “São Paulo perdeu a guerra, mas venceu”, dizia ela.
A direita perdeu em 2014, mas venceu. Tem maioria no Congresso e um “petrolão” para divulgar na mídia de acordo com seu viés.
Dilma escolheu o núcleo conservador de seu ministério para anunciar primeiro. Tudo indica que, em cargos menos importantes, usará o pêndulo. Em 2018, mais uma vez, o PT em campanha fará uma inflexão à esquerda — de algumas semanas de duração. Este é o caráter de nossa modernização conservadora, que com o Congresso instalado em 2015 será mais conservadora e menos modernizante.

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