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TODOS JUNTOS: DILMA 13, pela Constituinte da Reforma Política!

TODOS JUNTOS: DILMA 13, pela Constituinte da Reforma Política!

‘Agora é Dilma pela Constituinte da Reforma Política!’ (Diálogo e Ação Petista)

É num grave momento da situação do Brasil que ocorre, em Brasília, a oportuna reunião dos movimentos sociais que assumiram a responsabilidade de organizar o Plebiscito Popular por uma Constituinte exclusiva e soberana sobre o sistema político.
Com seus 7,7 milhões de votantes, o Plebiscito Popular apontou o caminho da luta pela verdadeira democracia como uma alavanca para destravar as reformas urgentes que o Brasil necessita: reforma agrária, urbana e tributária, reestatizar o que foi privatizado, desmilitarizar as polícias e acabar com a ditadura da dívida que sangra os recursos que deveriam ir para o serviço público.
O Diálogo e Ação Petista (DAP) ocupou plenamente seu lugar nesse processo. Desde o começo, os militantes agrupados no DAP, junto com os seus candidatos, estiveram em todas as plenárias, nas ruas e nas urnas de quase todo o Brasil dando sua contribuição ao sucesso do Plebiscito.
Apoiado nesse trabalho e no combate que ainda estamos travando neste segundo turno, o DAP promove um Encontro Nacional em 29 e 30 de novembro, em Brasília, aberto a todos aqueles que no PT se envolveram com o Plebiscito na campanha eleitoral e que continuam na luta.
O objetivo do Encontro é analisar o resultado das eleições e a situação política, com destaque para a continuidade da luta pela Constituinte, num quadro de aguda polarização social, em que o êxito do Plebiscito Popular implica a mais firme defesa da única saída compatível com a democracia: dar a palavra ao povo, numa constituinte exclusiva e soberana para fazer a reforma política.
De fato, o primeiro turno eleitoral confirmou de maneira inequívoca que “Com esse Congresso não dá!”. Em vez de diminuir, aumentou o fosso entre o povo e as instituições, revelado à luz do dia pelas jornadas de junho de 2013.
Uma parte dos resultados do 1o turno se explica pela falta de combate ao violento ataque da AP 470, que condenou sem provas os dirigentes do PT para manter funcionando esse sistema político. E também pelas alianças esdrúxulas que se verificaram em nível nacional e local.
A consequência está aí: nesse “novo” Congresso apenas 30 empresas bancaram 63% dos deputados. Segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) é o congresso “mais conservador desde 1964”: mais 27% de empresários, mais 23% de ruralistas e menos 44% de sindicalistas!

Agir como o PT agia

A ferocidade com que as classes dominantes se lançam à ofensiva para desalojar Dilma da Presidência da República revelam, antes de mais nada, que o imperialismo decidiu partir para uma despudorada ofensiva para retomar as posições que havia perdido no Brasil.
A afirmação de que “o salário-mínimo cresceu muito” – feita por Armínio Fraga, ministeriável de Aécio – ao lado da defesa do “choque fiscal” constitui todo um programa: arrocho salarial, ataque aos direitos trabalhistas em nome da “competitividade”, destruição dos serviços públicos, aumento do superavit primário para alimentar a especulação financeira, privatizações, alienação das riquezas naturais – como o pré-sal – para as multinacionais.
Não deve surpreender que esse programa de ataque em regra aos direitos sociais e à soberania da nação venha embrulhado em manipuladas denúncias de corrupção na Petrobras.
É assim que eles pretendem confundir a classe trabalhadora enquanto bloqueiam todo combate à corrupção, que exige, na verdade, a ampla reforma do sistema político por meio da Constituinte, como a campanha do Plebiscito Popular colocou na ordem do dia.
É da maior importância o momento de entrega dos resultados do Plebiscito à Presidente Dilma.
Contra a velha política, nós temos a resposta: Dilma, assuma a Constituinte!
É com esse espírito que convidamos todos a “AGIR COMO O PT AGIA” também agora no 2º turno. Todo trabalhador e trabalhadora conscientes, todo militante da luta dos trabalhadores, popular e democrática, todo militante socialista, tem a tarefa de dialogar com a população trabalhadora.
Com os que não votaram, com os que votaram em qualquer partido, temos que nos unir para derrotar Aécio e nossos inimigos de classe, votando em Dilma.
Só alcançará novas conquistas quem luta para preservar as antigas!
Nenhuma abstenção, nenhum voto branco ou nulo! Nenhum voto Aécio!
TODOS JUNTOS: DILMA 13, pela Constituinte da Reforma Política!
*Via ‘Diálogo e Ação Petista’ D.A.P.
 http://dialogopetista.wordpress.com/

Depois do pífio desempenho de Aécio, ontem na Band, Globo cancela entrevistas com os presidenciáveis. Cancelará o debate?

Depois do pífio desempenho de Aécio, ontem na Band, Globo cancela entrevistas com os presidenciáveis. Cancelará o debate?

Já vi esse filme antes, com o mesmo PSDB e com a mesma emissora demotucana TV Globo.
Em 1998, FHC já estava quebrando o Brasil e não queria debates. Todos os demais candidatos queriam. A TV Globo cancelou dizendo que “não foi possível chegar a acordo” sobre as regras com as campanhas dos candidatos. Resultado: foi a única eleição presidencial após a ditadura sem nenhum debate. FHC venceu.
Agora a história se repete nas entrevistas no Jornal Nacional. A TV não poderá agir muito diferente com os dois candidatos (só um pouco para favorecer Aécio), senão o próprio eleitorado telespectador percebe. E a agenda política que o PSDB queria impor virou contra Aécio.
De repente o discurso anti-corrupção começa a favorecer Dilma, que não tem esqueletos escondidos no armário, nem histórico de impunidade, e desfavorecer Aécio, que tem dezenas de escândalos de corrupção, inclusive recentes, abafados e um histórico de impunidade.
A Globo também tem medo de perguntar sobre casos de corrupção e Dilma citar que todos funcionários pegos são afastados e punidos no governo dela, inclusive uma funcionária da Receita Federal condenada por furtar um processo de sonegação do imposto de renda sobre a própria TV Globo na compra de direitos de transmissão da Copa da Fifa em 2002.
Então o JN resolver cancelar as entrevistas alegando falta de acordo com as candidaturas sobre as regras da entrevista.
Não será surpresa se a dupla PSDB-Globo também resolver cancelar o próprio debate na Globo marcado para a semana que vem.

(Os Amigos do Presidente Lula)

O “V”oto de Vingança: Quem perde é o PT ou o Brasil?

O “V”oto de Vingança: Quem perde é o PT ou o Brasil?

Por Douglas Belchior

É explícito para quem quiser ver que os projetos de PSDB e PT se alinham ao interesse do grande capital. Mas é preciso admitir que há diferenças na adoção de padrões do desenvolvimento capitalista e que essas diferenças geram impactos sociais muito distintos.

O PT e menos ainda o governo Dilma, não rompem com a hegemonia do capital financeiro, mas se colocam numa postura de maior oferta de possibilidades para experiências populares e de posições progressistas para dentro e fora do Brasil, além de praticar uma política econômica que tende a manter nível de emprego, renda e acesso à bens e consumo.

A tarefa do momento é impedir o mal maior, que seria a vitória de Aécio. Por isso minha posição pelo voto em Dilma. A tarefa seguinte é somar forças na oposição de esquerda, antirracista e socialista, que precisará se dar no cotidiano das lutas sociais e no enfrentamento às crises que estão por vir.

O texto do companheiro Sammer Siman traz elementos muito importantes para a leitura desta conjuntura.

E o videozinho de Jose Paulo Neto, mais abaixo, “lacra” a posição.

Vale muito a pena ler e assistir!

dilma_presidente[1]

Mas é que se agora

Pra fazer sucesso

Pra vender disco

De protesto

Todo mundo tem

Que reclamar (…) 

Apesar dessa voz chata

E renitente

Eu não tô aqui prá me queixar

E nem sou apenas o cantor

Trechos de música “Eu também vou reclamar” – Raul Seixas 

Por Sammer Siman, militante das Brigadas Populares e mestrando em Políticas Sociais – UFES

Neste momento de alta intensidade política em que vive o país há um tipo de pensamento que chama a atenção. Trata-se do que pode ser chamado de “V”oto de Vingança, que é motivado por um raciocínio que crê que a superação do PT (ou sua suposta “reciclagem”) reside na sua retirada do poder a qualquer custo.

O problema de tal pensamento é que, além de não apontar para a questão central – que passa pela tarefa irrenunciável de se construir uma alternativa política que retome a agenda de mudanças que o país precisa, considerando que o PT se afirmou como um partido da ordem – joga água no moinho do que há de mais atrasado no país, representado hoje por Aécio Neves.

Cabe aqui marcar que um aspecto que substancia esse tipo de pensamento é a percepção de que os projetos políticos representados pelo PT e PSDB são iguais, se negando a apontar qualquer diferença aparente ou substancial entre ambos.

Assim, desde já aviso aos “navegantes” que se propuseram a acompanhar esse texto até o final: votar em Aécio (ou mesmo nulo, ainda que o nulo tenha outras nuances mais complexas que não podem ser desprezadas) é vingar do Brasil, e não do PT.

DOS ANTECEDENTES: OS LIMITES DO PETISMO

Uma análise afoita e sem memória histórica tende a atribuir ao petismo toda a responsabilidade pela não realização das mudanças estruturais que o Brasil tanto necessita. É comum ouvir dizer que o PT “abandonou o socialismo”, como se o socialismo fosse o projeto articulador da construção desse partido.

Sem poder entrar no detalhe da complexidade histórica da construção do PT (repleta de correntes políticas das mais variadas matrizes teóricas) o que vale resgatar é que, no auge da redemocratização (eleições de 89) havia vários projetos em disputa no campo da esquerda, sendo que dois merecem destaque: o trabalhismo de Leonel Brizola e o petismo de Lula.

Por pouco, mas por muito pouco, Brizola não foi para o segundo turno enfrentar Collor. Creio que poucos jovens desse país sabem hoje o que se passou naquele momento, como o apoio que Lula recebeu de quase toda classe artística da Rede Globo (veja o vídeo[i]).

Motivo? Um dos principais é que Brizola era o inimigo mais feroz da Rede Globo, aquele que portava o projeto mais indigesto às elites brasileiras. Foi quem denunciou como ninguém o que chamava das “perdas internacionais”, que se dava em função da condição subordinada do Brasil no regime de acumulação mundial, fundada no que Rui Mauro Marini chamou de superexploração do trabalho.

Brizola foi o oponente mais feroz da ditadura, certamente o principal inimigo dela, pois ainda em 1961 ameaçou colocar as tropas (e o povo) do Rio Grande do Sul contra aquilo que já seria a efetivação dos interesses por detrás do golpe de 64: Os militares, em conluio com setores dominantes da sociedade civil tentaram impedir a posse de João Goulart, após a renúncia de Jânio Quadros, o que só não foi possível pela iniciativa de Brizola que ficou marcada como a Campanha da Legalidade.

Brizola também insistiu com Jango para resistir à ofensiva militar de 31 de março de 1964, naquilo que poderia ter sido mais um episódio da resistência.

Além do que, Brizola foi um governador exemplar, especialmente no Rio de Janeiro em que massificou escolas de qualidade, tratou a questão da violência a partir do enfrentamento ao racismo (sugiro ver essa entrevista dele a Jô Soares[ii]) e, em síntese, deixou marcas que não poderão ser apagadas pelas elites que tanto odiaram Leonel Brizola (e não é por menos que há muito “carimbo” na imagem dele, como a fama de “populista”, “caudilho” e outras caricaturas que as elites costumam colar em líderes populares que contrariam seus interesses).

E falo de Brizola também para atribuir-lhe outro mérito peculiar: Brizola caracterizou Lula e o PT com uma precisão assustadora. Neste curto vídeo[iii] de menos de 2 minutos há um exemplo disso, quando ele diz que o Lula só transita na superfície da questão brasileira, ou seja, não toca na essência do problema, que significa a necessidade de superar a condição de dependência.

Isso se confirma pelo fato do PT ter se configurado como um partido da ordem, comprometido com a manutenção da condição dependente do Brasil: Em 2003 Lula mandou os movimentos sociais para casa, fez uma reforma conservadora da previdência e, por esse e outros tantos fatores (como a manutenção de uma criminosa divida pública que consome metade do orçamento nacional) seguimos como exportadores de commodities a partir da ciranda dos capitais fictícios, sem um projeto de desenvolvimento soberano que passe por uma ação decidida junto das massas.

Tal resgate é importante para sugerir que a tese de “traição do PT” deve ser tratada com muito cuidado, pois faz sentido pensar que o PT avançou naquilo que foi capaz e seus limites foram a expressão do partido não ter ido a raiz da problemática brasileira – sugiro a leitura do artigo “Três aproximações à esquerda da Ordem” de Pedro Otoni, onde ele afirma que não há “esgotamento” do PT[iv].

Não estou a me colocar como uma espécie de “juiz da história”, nem mesmo sendo determinista. O PT poderia ter tomado outro curso, especialmente se tivesse chamado o povo às ruas para realizar as reformas de base, a saber: agrária, tributária, política, entre outras.

MAS O PT É IGUAL OU PIOR AO PSDB?

O PT e o PSDB podem ser tidos hoje como duas faces de uma mesma moeda. Isso se considerarmos que, no caso, a moeda em questão é a manutenção do Brasil como um país dependente no sistema-mundo. Para essa constatação, basta ver os doadores de campanha de cada partido, são basicamente os mesmos.

A leitura do livro de Gilberto Vasconcelos (Giba) “Gunder Frank – O enguiço das ciências sociais” fundamenta bem essa percepção, pois Giba constata que os dois partidos surgem do “ABC das multinacionais”, ou seja, são reflexos do triunfo da ditadura em afirmar as multinacionais como eixo articulador do (sub)desenvolvimento brasileiro.

O PT como governo assimilou mudanças que foram importantes para o desenvolvimento do capitalismo brasileiro, como a inserção de uma camada social muito pobre na esfera do consumo, que foi útil para o desenvolvimento do capital.

O PT fundou o seu projeto no tripé “crescimento econômico – políticas sociais – conciliação de classes”, resultando naquilo que alguns tem chamado de “melhorismo”. Tal projeto teve seu auge com os dois mandatos de Lula (em que a economia mundial estava em ascensão, sobretudo a partir da China), foi se esgotando no governo Dilma e agora a cartilha já está pré-determinada: Seja Dilma, seja Aécio, haverá um “pacote de maldades”, haverá ajustes que vão cortar investimentos sociais a partir de 2015.

O que está em jogo é o ritmo desse ajuste. Aécio, por sua própria envergadura de classe ultra-conservadora e profundamente relacionada com o mercado financeiro fará tal ajuste “sem dó”, pois não tem os freios existentes no âmbito do petismo. Dilma, caso eleita, fará um ajuste de menor intensidade, mesmo porque se cortar de maneira radical as políticas sociais terá seu projeto político falido antes de 2018.

AS DIFERENÇAS ENTRE DILMA E AÉCIO ESTÃO NO PLANO DA APARÊNCIA, MAS A APARÊNCIA É UMA DIMENSÃO REAL QUE DEVE SER CONSIDERADA

Ainda que sejam “faces da mesma moeda” os dois partidos possuem diferenças que devem ser consideradas. Por exemplo, no campo das relações internacionais. Ainda que não haja diferença na essência como, por exemplo, do ponto de vista de tirar do Brasil a condição de “anão diplomático” (considerando a manutenção de sua condição de dependência) há diferenças importantes no padrão que se estabelece nas relações internacionais.

Aécio tem seu umbigo ligado à (decadente) política norte-americana que, mesmo que acometida de muitas dificuldades (como seu galopante endividamento público, seus limites estruturais para crescer a economia e gerar empregos, etc) segue com os esforços liberalizantes para sustentar sua hegemonia (que hoje está muito associada ao sucesso do dólar). E um desses esforços é a Aliança do Pacífico, que pode ser entendida como uma tentativa de reeditar a ALCA.

Já Dilma, ainda que não tenha nenhum tipo de ação pela formação de um bloco alternativo na América do Sul (que passou pelo esforço do comandante Hugo Chavez de afirmar a ALBA – Alternativa Bolivariana das Américas) tem procurado estabelecer um campo alternativo que hoje passa pelos BRICS – bloco que alia Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Em síntese, os BRICS trata-se de um esforço “terceiro mundista” para tentar criar condições de lidar melhor com a supremacia do dólar, mas não se trata de uma alternativa para enfrentar a condição de dependência do Brasil. Afinal, sua pretensão é, desde já, promover obras de infra-estrutura para, na prática, países como o Brasil seguirem exportandocommodities para a China. Neste sentido, quem ganha é a China (sugiro vídeo de Nildo Ouriques acerca dos BRICS[v]).

No entanto, fato é que o alinhamento prioritário de Dilma está fora do eixo do norte, e isso por si só já marca uma diferença entre as candidaturas.

MAS O QUE JUSTIFICA VOTAR EM DILMA?

No entanto, ainda que haja diferenças que devam ser consideradas, o essencial que move o voto do presente autor não passa pela percepção das diferenças e nem muito menos pela crença no “melhorismo” petista.

Existem hoje no Brasil dois tipos de movimentações básicas no campo de um eleitorado que escolherá Dilma no segundo turno por razões marcadamente ideológicas. Uma delas trata-se de um campo que ainda se movem pelo petismo, que acredita no “melhorismo”, ou seja: Acredita que o governo do PT segue um rumo que vai ir melhorando, melhorando, melhorando a vida do povo pobre até……chegar num patamar de inclusão social de alta intensidade, ou de “reformismo forte”, no termo de André Singer.

No seio deste campo há manifestações mais ufanistas (que acredita no governo “às cegas”, que tenta encarnar em Dilma a “guerrilheira de outrora”) até manifestações mais críticas, que acredita que o PT tem que rever radicalmente sua política para dar conta dos desafios e que reconhece que uma possível derrota de Dilma seria própria dos limites do petismo (ainda que deva se considerar os erros crassos na condução da campanha – notadamente a partir da avalanche de ataques destinados a Marina Silva no primeiro turno).

E há um outro campo que não nutre ilusões no petismo mas que sabe o que significaria um governo de Aécio. O ponto central que trago aqui é que está nas mãos deste campo político liderar a construção de uma novidade política, que se afirme pela esquerda. Uma alternativa que se oriente por um pacto decidido com as massas em torno das reformas que o Brasil precisa.

Eis essa a única forma de “vingar” do petismo. Construir um projeto que reconheça os avanços petistas, que entenda seus limites e que os supere, reservando a ele o seu devido lugar na história.

A VITÓRIA DE AÉCIO É VINGAR CONTRA O BRASIL

O que defendo aqui é que o desejo de vingança ao petismo deve seguir outros termos. Ele deve se traduzir numa ação consciente e organizada para produzir o novo. Afinal, reclamar é fácil, dizer que tudo que está aí não serve também é, o difícil é se comprometer e ser parte do desafio de construir a novidade, “sacudir a poeira e dar a volta por cima”, nos dizeres da música do sambista Paulo Vanzolini.

Permitir que Aécio ganhe é dar trela para um governo que vai intensificar as privatizações, recrudescer a chamada “política de segurança”, que nada mais é que a política que segue matando e encarcerando o povo preto e pobre em nome da “guerra as drogas” enquanto os grandes traficantes seguem impunes, a exemplo do fatídico caso do “Helicoca”, um helicóptero da família Perrela com 500 kg de pasta de cocaína que foi encontrado no Estado do Espírito Santo em 2013 e que já teve seu processo arquivado e ninguém responsabilizado (veja o vídeo que retrata esse episódio[vi])

E, ouso ir além: Permitir que Aécio ganhe é dar sobrevida ao projeto petista. Pois será difícil que as forças revolucionárias e progressistas que não tem ilusão no petismo construam uma novidade debaixo do “chumbo aecista”, minha aposta é que o PT voltaria “por cima” em 2018 para tentar um novo ciclo de “crescimento econômico – políticas sociais – conciliação de classes” e que restaria às massas apostar novamente no petismo.

Afinal, há também quem aposte que o aecismo traria para as ruas alguns movimentos sociais que canalizam hoje seus esforços na consecução de políticas públicas no âmbito do governo e que isso seria um motor suficiente para fazer as transformações que o Brasil precisa. Um raciocínio débil, equivocado, pois enfrentar o “chumbo aecista” é o mesmo que enfrentar o “chumbo de FHC”, ou seja, é ficar numa posição defensiva na defesa dos direitos e do patrimônio público, ainda que o neoliberalismo já tenha passado de seu “auge ideológico” na América Latina.

Afinal, o Chile tem muito a nos dizer sobre isso, pois contou com um governo deConcertacion (Conciliação, liderado por Michelle Bachelet), que foi derrotado pela ultra-direita em 2010 (Álvaro Piñera) e depois voltou ao poder com o apoio de boa parte das forças progressistas e revolucionárias. E, ainda que os estudantes tenham tomado as ruas do país em 2011, o máximo que se alcançou foi a eleição de alguns jovens parlamentares, longe de ser a novidade política que necessita o Chile para enfrentar a sua condição de dependência.

A tese de “alternância de poder é algo bom para a democracia” é um mito, pois a alternância entre as duas faces da mesma moeda só serve para manter o que aí está. Só há um jeito, que passa pela escolha de outra moeda, aquela que coloque em questão as mudanças que o povo precisa.

Do contrário, é crer que o avanço da questão brasileira deve passar por uma suposta “evolução da democracia”, sem considerar que há um desencontro no Brasil desde 1964 da questão democrática e da questão nacional, naquilo que Pedro Otoni chamou em sua dissertação de disjuntiva entre a democracia e a nação[vii], na medida em que a luta por distribuição das riquezas a partir das reformas se perdeu em função da luta pela retomada do Estado Democrático de Direito.

Manter o PT significa intensificar a produção de uma novidade política a partir do enfrentamento ao governo petista em sua essência conservadora, pois já está claro que não há mais sustentação no tripé de cunho “melhorista”, o que está pulsante é a retomada de uma agenda intensiva de reformas, especialmente aquelas que dividam a riqueza (tributária, agrária, urbana e midiática).

E neste cenário ter um governo menos truculento é a possibilidade das forças revolucionárias e progressistas traduzirem essa novidade política num espaço de tempo relativamente curto, de construir uma forte agenda de mudanças, não necessariamente estando atrelada a uma agenda eleitoral (ainda que urge construir uma legenda eleitoral que possa canalizar essas forças sociais).

Afinal, junho ainda não deu todos seus frutos, pois restou claro que no âmbito da institucionalidade não houve um crescimento das forças progressistas, pelo simples fato de que a maior parte das instituições (mídia, partidos, etc) seguem sob o domínio das elites econômicas e políticas.

É por tudo isso que cabe a nós seguir com uma atuação decidida a partir do cotidiano, na tarefa da construção da Nova Maioria. E para isso não há atalho, nenhuma força da conservação será derrotada por mágica, por mera vontade ou por uma simples catarse de comentários depreciativos nas redes sociais.

Ou arregaçamos as mangas para construir a novidade a partir do cotidiano, ou vamos eternizar essa polarização que não adentra na questão brasileira. Como se infere da música de Raul Seixas, apesar de estar na moda reclamar, isso não é o bastante. Vamos botar o pé na estrada!

Vitória, ES, Brasil – 15 de outubro de 2014

[i] https://www.youtube.com/watch?v=kZF1f4eH3eA

[ii] http://www.youtube.com/watch?v=Bk0S_Q-EiG0

[iii] https://www.youtube.com/watch?v=K-gVK84Rpic

[iv] http://brigadaspopulares.org.br/?p=661

[v] https://www.youtube.com/watch?v=jjyyhza3J5A

[vi] https://www.youtube.com/watch?v=wwZ0Lvtt8A4

[vii] http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/BUOS-8P3Q98

Operação Brasil Integrado transfere 11 presos para presídio federal

Operação Brasil Integrado transfere 11 presos para presídio federal

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“Estamos atacando as ações criminosas, desde as atividades cotidianas, organização e fornecimento financeiro”, explicou Cardozo durante a coletiva. Foto: Elza Fiuza /Agência Brasil.

Nesta quarta-feira (15), o Ministério da Justiça anunciou a conclusão da transferência de 11 presos de quatro estados para um presídio federal. A iniciativa faz parte da Operação Brasil Integrado, lançada neste segundo semestre com o objetivo de combater a violência e reduzir o crime organizado no País.

De acordo com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, os 11 presos transferidos hoje para a Penitenciária Federal de Campo Grande (MS) são acusados de assaltos a bancos e têm ligação com organizações criminosas. A preocupação do governo, de acordo com Cardozo, é impedir que as organizações se mobilizem para atuar em novos esquemas ilícitos: “Organizações criminosas tendem a buscar outros caminhos, pois elas não podem viver sem recursos”.

A primeira ação desenvolvida pelo Brasil Integrado ocorreu no mês de setembro e mobilizou um efetivo de 9,6 mil profissionais, entre agentes da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Corpo de Bombeiros e Exército. Durante os três dias da operação, o Brasil Integrado – Ação Nordeste realizou 72.493 abordagens e 1.014 barreiras policiais. Houve apreensão de 5,2 toneladas de explosivos, 1.405 munições, 112 armas de fogo e 1.166 veículos de transporte, incluindo um avião.

Centros de Comando e Controle
O modelo de segurança adotado durante a Copa do Mundo credenciou a região Nordeste a receber o projeto piloto do Brasil Integrado, com seus quatro Centros Integrados de Comando e Controle regionais (CICCR).

Além do uso padrão dos CICCR, a Operação prevê normativas comuns, acordos de cooperação, oficinas temáticas e alinhamento de estratégias e ações. O governo federal pretende ampliar o Brasil Integrado, alcançando todas as regiões do país, fortalecendo o controle das divisas interestaduais e intermunicipais.

Fonte: Portal Brasil.

São Paulo merece e precisa viver o horror da falta de água

São Paulo merece e precisa viver o horror da falta de água

Vai ser didático para o paulistano ficar sem água. Não, este não é mais um daqueles malditos posts irônicos. Eu realmente acredito que a escassez prolongada terá um efeito transformador na forma através da qual percebemos as consequências de nossos atos.

Não quero parecer leviano. Sei que hospitais e escolas vão enfrentar crises, a economia murchará e a vida das pessoas se tornará um rascunho da titica do cavalo do bandido. Afinal, estamos falando de milhões concentrados em um pequeno espaço poluído e caótico dependente do sistema Cantareira.

Mas o ser humano só se mexe mesmo quando está à beira do abismo. E, às vezes, nem isso.

Vejamos um paralelo: diante da negação por parte de governos e o setor empresarial, um renomado cientista declarou, pouco antes de uma das cúpulas globais do clima, que era melhor deixar os fatos tomarem seu curso natural, o planeta aquecer, refugiados ambientais quadruplicarem, cidades nos países ricos serem invadidas pelo mar, a fome surgir no centro do mundo, guerras ambientais ocorrerem. Só assim pessoas e países tomariam atitudes mais fortes que as insuficientes alternativas atuais, como o mercado de carbono.

Situação que, no Brasil, é vulgarmente conhecida como “a hora em que a água bate na bunda”. Porém, como não tem mais água por aqui, o pessoal não se ligou.

O clima mudou por aqui. Não faltou cientista, ambientalista e jornalista para dizer isso. Poucos ouviram. Não estamos vivendo uma situação excepcional. Crises hídricas como essa serão comuns daqui para a frente. Ou seja, é incompetência e irresponsabilidade mesmo.

O governo do Estado de São Paulo não fez a obras necessárias para aumentar a capacidade de armazenamento de água, negou-se a racionar por conta das eleições e, o pior, a debater o assunto abertamente.

Enquanto isso, o grosso da sociedade paulistana, sejam pessoas ou empresas, ainda acredita no que aprendeu na terceira série do ensino fundamental: de que o Brasil é um dos campeões mundial de água doce e que ela nunca vai faltar. E usa o recurso como se a palavra “renovável” significasse “eterno”.

Sem contar que o país como um todo, na sanha louca de uma visão deturpada de “progresso”, talhou tanto a Amazônia (que é a grande fonte hídrica para a região onde está São Paulo, através do envio de umidade) que esse fluxo sofreu impacto. O interior de São Paulo, sem ligar lé com cré, elegeu um rosário de  ruralistas que derrubaram o Código Florestal, contribuindo com a diminuição da proteção ambiental.

Acho bom que falte água. Que as torneiras sequem. Que as pessoas parem de lavar seus carros três vezes por semana. Que a mangueira seja aposentada como vassoura. Que os banhos fiquem curtos. Que as empresas deixem de desperdiçar. Que o preço da água suba – porque só se dá valor para coisa cara por aqui. Que o governo deixe de ser negacionista, mas planeje e execute.

Pena que isso vai atingir, indiscriminadamente, quem sempre tratou o recurso de forma racional e tem questionado o poder público quanto às soluções para o problema e o bando de malucos inconsequentes, que culpa São Pedro e não a si mesmo por tudo o que está acontecendo. Como adutora não escolhe entre racionais e celerados, por aqui, o Juízo Final virá para todos.

Acredito que a São Paulo que se reerguer dessa catástrofe será mais consciente do que aquela que temos hoje. Porque vai ver o horror de perto.

Será uma cidade melhor. Mesmo que tenhamos que movê-la para outro lugar.

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